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01/10/2019
Relações entre criminologia, mídia e sociedade do espetáculo são temas de palestra realizada na OAB/NH

No último dia 25 de setembro, a OAB de Novo Hamburgo recebeu o Prof. Dr. Álvaro Oxley Rocha, que ministrou a palestra "O medo do crime na sociedade do espetáculo". O evento, realizado em parceria da Escola Superior de Advocacia (ESA-RS) com a Subseção, foi organizado pelo Delegado da ESA da OAB/NH, Henrique Abel.

 

Representando a Diretoria da Ordem local, esteve presente prestigiando o evento a Vice-Presidente Juliana Martins da Silva.

 

Em sua fala, Álvaro explicou como os medos sociais comuns podem ser explorados, para fins de controle, para legitimar práticas abusivas de "surveillance" (hipervigilância), discursos políticos restritivos de direitos individuais e para, economicamente, gerar demanda por certos produtos e serviços - e de como o senso comum é muitas vezes estabelecido por meio de padronizações e naturalizações criadas artificialmente por meio da repetição padronizada de narrativas midiáticas.

 

"Vejam, por exemplo, a questão do funcionalismo - aquela concepção superada de que o crime seria um elemento externo que ataca, invade a sociedade e a corrompe. Esta ainda é uma concepção que está na cabeça das pessoas e jornalistas normalmente se identificam com esse tipo de abordagem. É que essa concepção funcionalista nos preserva. Ela nos permite manter uma postura do tipo 'eu sou bom e o crime é uma porcaria suja que vem de fora para estragar tudo'. Ou 'a sociedade é boa, o que vem de fora é que estraga'. Por exemplo: a questão das drogas. Vistas sob uma ótica funcionalista, elas são uma espécie de invasor externo, estranho à sociedade, que nos invade, que vicia e faz adoecer. Então tomamos a iniciativa de resolver o problema à bala. Aquele senso comum do 'vamos matar todos os traficantes, todos os produtores, etc'. Tudo isso serve como cortina de fumaça para que não se faça a pergunta certa, a pergunta sociológica, que é a única que realmente interessa aqui: por que as pessoas querem usar drogas? Ora, dentro da lógica de mercado, uma coisa só vende se existe demanda para tanto. Enquanto tiver quem compre, haverá quem venda. E por que existe tanta demanda por droga? Essa é que a verdadeira pergunta importante a responder. Talvez a demanda por droga seja grande porque a própria vida das pessoas está virada numa droga. Drogas 'amaciam' as coisas e tornam as coisas 'menos ruins'. E será que essa demanda por drogas ilícitas é tão diferente da demanda por drogas que hoje são lícitas, como álcool? Essas concepções funcionalistas partem de pressupostos errados. Na realidade, a droga é algo que é demandado pela sociedade, produzido pela sociedade, para ser consumido pela sociedade por causa de problemas que a própria sociedade cria. Em um quadro de patologias sociais, não chega realmente a ser surpreendente o fato de que essa sociedade deseje recorrer às drogas - de todos os tipos, lícitas, ilícitas ou farmacológicas - no afã de resolver seus problemas."

 

A palestra durou duas horas e vinte minutos. Ao final, Abel agradeceu ao público pela presença e ao palestrante pela excelente aula ministrada. "Quando a palestra se estende por mais de duas horas e todo o público acompanha com interesse, a gente vê que o palestrante realmente possui substância. Muito obrigado, professor Álvaro, por nos honrar com a sua presença e nos presentear com essa brilhante palestra", destacou.

 

O evento também foi transmitido ao vivo pela página da Subseção e permanece disponível através do link: 

https://www.facebook.com/oabnh/videos/419933481990001/?eid=ARCfjUPOAxADjHR940fD3tomE2etBthu5YSTuqH9_vnW7iyZ2YCZiU3nYCebTFNndUVvAnMBX8BPvv0L

 

Álvaro Oxley Rocha é Mestre em Ciência Política pela UFRGS; Doutor em Direito Público pela UFPR; Pós-Doutor pela Kent University; pesquisador associado do NUPESAL - IFCH – UFRGS; parecerista e consultor ad-hoc do CNPq / CAPES – MEC; Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Criminologia Cultural; professor do Ensino Superior (Graduação e Pós-graduação "stricto sensu"); Staff Member da Kent University - SSPSSR, nas Universidades de Ghent-Bélgica, Universidade de Atenas - Grécia, Universidade do Porto - Portugal, e ELTE University - Budapeste, Hungria (Common Sessions); membro das associações internacionais: AIC, ACS, e CLS, e do CONPEDI; foi pesquisador líder no GEPCRIM e no Grupo de Pesquisa Fundamentos de Criminologia, ambos no PPGCCRIM da PUC-RS; integra o Grupo de Estudos Magistratura, Sociedade e Política, do PPG em Sociologia do IFCH da UFRGS; pesquisador visitante no IISL - Instituto Internacional de Sociologia Jurídica - Oñati – Espanha; e Tradutor, Autor/organizador de vários livros e dezenas de capítulos de livros e artigos científicos, publicados no país e no exterior.